terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cotas Raciais - Qual a cor do seu pensamento ?

Pode-se ver que no canto à esquerda, os candidatos tem de informar a respeito de sua raça/cor
no momento de inscrição. O que eles querem com isso ???

Considerando-se o Brasil em que vivemos, não é de se estranhar a adoção de medidas de ações afirmativas, planos governamentais cujo objetivo é minimizar a discriminação dentro do país.
Um exemplo de ações afirmativas são as cotas raciais. Elas funcionam de modo a incluir em empresas e universidades, pessoas de raças negra e indígena, reservando um percentual de suas vagas para este fim.
Tendo em vista que essas medidas são formas de “solução” temporária, há de se convir que elas não resolvem ou destroem o preconceito e a discriminação raciais, mas viabilizam a inclusão social das pessoas que sofrem com isso.
Sou a favor das cotas raciais para as empresas, uma vez que a decisão de contratação cabe somente ao empregador, que em muitos casos, além de usar como critério de seleção os requisitos básicos profissionais (currículo), faz juízo de valor à raça e à cor do candidato, o que acaba por pesar em sua escolha.
Contudo, ponho-me contra as cotas raciais das universidades, pois a cor ou a raça do candidato não é um critério de seleção, ou melhor, não deveria ser, pois como muitas vezes foram mencionadas, todas as raças têm a mesma capacidade de discernimento, colocando-as no mesmo nível de poder de aprendizado.
Porém, o que faz a diferença é como essa capacidade será desenvolvida. É notório que principalmente por uma série de fatores ligados à história brasileira, a base estamentária* é pobre e descendente negra, que por característica do sistema econômico capitalista, é também a maioria da população. Por isso, pode-se dizer que a população denominada negra (fenotipicamente falando) tem menos oportunidades que a população denominada branca, que, mais uma vez, por consequência histórica, forma a minoritária elite de grandes empresários e políticos.
O próprio sistema de cotas raciais das universidades acaba por tornar-se um complexo exemplo de discriminação, pois além de segregar a raça negra, como se esta fosse inferior, afasta a branca da ideia de raça. Por outro lado, cria erroneamente a ideologia de que os caucasianos são a normalidade e que os afrodescendentes são os casos especiais. De uma forma ou de outra, as cotas raciais representam discriminação simultânea, para os negros e para os brancos.
Então, o que melhor se encaixa, não são as cotas raciais, que remediam uma vida de exclusão, mas a implantação de cotas sociais que levem em conta o “poder” aquisitivo dos estudantes, abrangendo maior parte da nação, que como já se sabe, é pobre, ao contrário das cotas raciais para negros e indígenas, que prioriza apenas uma parte da população e discrimina a outra.
*Estamentária: Derivada de estamentos, segregação da população em classes sociais.



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